Educar na Fé

2 de junho de 2013 19 comentários
Por Bruna Galves

Olá, meu nome é Bruna, mas pode me chamar de Mãe do Pedro que é até mais fácil de eu atender, rs! O Pedro é um menino com uma energia sem fim de 2 anos e 3 meses. Sou casada com o Fernando, pai do Pedro há 6 anos.

Me pediram que eu escrevesse sobre a educação na fé das crianças, como é um assunto muito pessoal e em até certo ponto polêmico, vou passar o que sei e penso sobre isso descrevendo a minha experiência com minha família.

Desde que engravidei uma das coisas que mais preocupava a mim e ao Fer era a educação na fé do bebê. Somos católicos, e essa seria a fé que queríamos passar ao nosso filho.

Durante a gestação muitas teorias foram criadas, mas assim como todas as outras facetas da maternidade, a educação na fé também nós só descobrimos como fazer fazendo!

A primeira e mais importante lição que aprendi foi que não posso dar ao meu filho aquilo que não tenho. Parece óbvio, mas muitas vezes queremos que nossos filhos aprendam a rezar, mas nós não rezamos... Assim, precisamos, eu e meu marido, nos reencontrar com Deus e decidir até onde poderíamos nos comprometer em sermos Cristãos, essa decisão foi que definiu até onde podemos ir para passar a fé ao nosso filho.

Desde a gestação eu me esforcei para não deixar de receber a Eucaristia um domingo sequer, o Pedro nasceu numa segunda feira, no dia anterior eu havia comungado, isso me trouxe muita alegria e tranqüilidade. 

O tempo foi passando, e descobri que educar o filho na fé é muito, muito mais difícil que eu poderia supor, demanda uma energia enorme, tempo, mudanças pessoais e envolvimento da família toda. Descobri que muito mais coisas precisariam ser mudadas em mim para que eu estivesse apta para educar meu filho na fé como prioridade e da maneira como eu gostaria. Assim, parei de trabalhar, pois nenhuma escola lhe daria educação religiosa, nem mesmo as escolas católicas, isso não é obrigação da escola. Graças a Deus tudo foi preparado para que pudéssemos optar por isso. Também descobri que criança é muito esperta e aprende na delicadeza dos detalhes, e assim o Pedro foi aprendendo sobre Deus a principio por imitação, o que trás uma enorme responsabilidade para os pais.

Uma das maiores dificuldades me parece ser encontrar o equilíbrio. Não levar a criança na igreja é não educar na fé, mas também levá-la todo dia pode afastá-la. Em casa fomos descobrindo esse delicado ponto de equilíbrio na tentativa e erro, mudando posturas conforme ele foi crescendo, e, principalmente observando as respostas do Pedro.

Desde 20 dias de vida o Pedro vai à missa todo final de semana, claro que ele não se comporta e eu, por conseqüência, pouco consigo ouvir das leituras ou homilia. Ele passeia, viaja, vai a festinhas, mas sabe que sábado é dia de igreja, por enquanto é só isso que ele precisa saber.  

Além disso em casa temos imagens, lembrando mais uma vez que somos católicos, e fiz questão de comprar algumas de plástico para serem brinquedos dele. Criei uma caixinha que chamo de tesouro, e lá ele guarda o terço, foto do pai, minha, imagem de Maria, um crucifixo e digo pra ele que esse é o tesouro dele.

É necessária muita persistência, pois os frutos demoram a aparecer e são muito sutis. Mas aparecem! Com 1 ano ele já colocava as mãos postas em oração, logo que aprendeu as primeiras palavras ele já dizia amém, Maia (Maria), Jesus e outras palavras relacionadas à fé.

Hoje com 2 anos ele é uma criança tranquila  completa as principais orações, faz sinal da cruz, gosta de ir na igreja, tem um relacionamento de amizade e respeito com o Padre da minha Paróquia,  canta as músicas da igreja, compreende algumas coisas simples, por exemplo na semana passada: O Pedro estava com um crucifixo de madeira na mão, e na brincadeira puxou Jesus que se soltou da Cruz, ele virou, me mostrou e disse: “olha Mãe, Jesus Ressuscitou!”... Achei incrível ver como ele tinha entendido a páscoa que eu havia explicado para ele.

De minha parte eu acho que nada que podemos dar aos nossos filhos é tão importante quanto a fé. A fé é dom de Deus, mas são os pais quem alimentam a fé dos filhos até que chegue o dia em que eles terão capacidade de alimentar sua fé por conta própria. É um trabalho bonito, exaustivo, que exige muito envolvimento e com uma garantia muito vaga.

A Bíblia nos promete que se educarmos nossos filhos na fé, ainda que se desviem, para a luz da fé voltarão. Mas confiar todas as minhas energias nessa promessa depende do tamanho da minha fé!

E é nisso que eu confio. Sei que o Pedro poderá ou não se desviar, poderá ou não cometer os maiores erros. Mas estou fazendo minha parte e lhe dando o que tenho de mais precioso, a única garantia de vida que posso lhe dar. Educar na fé uma criança é dar a luz todos os dias, é deixar morrer as nossas vontades muitas vezes para que essa fé seja passada, e finalmente confiar que Deus está à frente de tudo.

Batizado do Pedro, com 46 dias de vida. Até hoje comemoramos seu aniversário de batismo, convidamos seus Padrinhos, fazemos um bolo, acendemos a vela que recebemos no batismo, rezamos e festejamos o dia em que o Pedro nasceu para viver.
Nossa família na paróquia que frequentamos ao final de uma missa.
Papai Fernando lendo a Bíblia pro Pedrinho, muito antes que ele pudesse compreender as palavras, 5 meses.
Primeiro Natal do Pedro, ele conhece o “Papai Noel” por São Nicolau, que é o santo de origem da tradição do papai Noel, assim ele ganha sim presente de Natal (depois de ir à missa,) mas sabe que quem deu foi São Nicolau.
Mãozinhas postas em oração e a presença do pai!
Rezando com minha afilhada (5 anos) em frente ao Santíssimo.
Pedro na missa de sábado de aleluia – 2 anos e 2 meses.
Foto tirada às 4h da manhã na última vigília pascal, a roupa do meu marido é por que ele é ministro da Eucaristia.




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19 comentários:

  • Genis Borges disse...

    Oi minha querida, um belo exemplo e testemunho de fé e dedicação. Eu tb acredito e vivencio a experiência de criar meu filho em uma religião e acima de tudo, na crença de Deus e seu filho Jesus.
    Parabéns.
    Nos abrilhantou nesse domingo.
    Bjus, Genis

  • Mamães em Rede disse...

    Querida Bruna,
    Sua presença aqui em nosso blog, com este belo post sobre vida e fé, nos trouxe alegria e paz.
    Muito obrigada.
    Grande abraço,
    Equipe Mamães em Rede

  • Divagações da Mamãe Tê disse...

    Bruna, nem sei por onde começar a comentar seu texto que achei simplesmente maravilhoso. Sou Católica também e me vi em todas as suas palavras, seus ensinamentos, suas dificuldades e "luta" para educar seu Pedro na fé.

    Aqui temos uma Maria de 6 anos e 5 meses. E desde bebezinha, sem entender nada, já rezava pra ela no colo. E é assim até hoje. Antes de dormir é pedir benção ao papai e mamãe (faço questão por ter sido educada assim), rezamos, lemos a bíblia infantil dela que dei aos 2 anos e lemos historinha.

    É muito extensa a hora de dormir, mas é nosso momento de entrosamento e fé.

    Não tive experiências boas com seus padrinhos de batismo, o que me deixa triste até hoje. Mas não vou gerar polêmica aqui.

    Hoje sua madrinha que "adotei" como única é de consagração. Parece que a vida nos prova, prova quem procura a fé e quanto mais nos infiltramos mais as coisas costumam acontecer ao contrário.

    Hoje rezamos na hora das refeições, fala com ela pra fazer "Papai do Céu" na hora de sair na rua (sinal da cruz) e ela faz, fazemos sinal da cruz em frente à igreja e vamos às missas aos domingos.

    Apesar de não ser obrigação da escola a educação completa da fé, pra mim ja é um conforto o complemento da escola. Ela estuda em uma escola católica de irmãs, onde temos capelas e eles a visitam toda semana. Me ajuda nessa educação.

    Hoje como você, vou pelejando para levar Maria para a fé e como você disse, vou fazendo a minha parte. Nos mais está nas mãos de Deus..

    Amo Nossa Mãe do Céu. E quem me ensinou muito a amá-la foi minha mãe Rosa, que foi freira por 10 anos. Ela é uma mulher de fé.

    Achei lindo seu marido ser ministro da Eucaristia. Pedro com as mãozinhas postas sempre. Ele não poderia estar num caminho melhor.

    Beijos e desculpe o testamento... além de sempre escrever muito seu texto me convidou a isso..

    Obrigada pela participação aqui no MR. Volte sempre!!!

    Teresinha Nolasco/MR e Bolhinhas de Sabão para Maria..

  • Jackeline Graça disse...

    Bruna parabéns pelo depoimento, obrigada de coração pela participação. Aqui em casa tem sido um pouco mais difícil pelo fato do meu marido não ter uma religião, ele acredita em Deus, em jesus, é uma pessoa maravilhosa e dedicadíssima a quem ele ama, mas não consegue seguir nenhuma religião em si, acho que pelo fato de ter sido criado uma parte na religião católica, depois a mãe dele se converteu para Testemunha de Jeová, ele estudou por muito tempo os ensinamentos como testemunha de Jeová e depois quando adulto decidiu não acompanhar mais nada. Eu ia sempre ás missas, até hoje sei a maioria das partes de cabeça, mas comecei a me afastar conforme fui tendo cada vez mais obrigações, e deixei a principal obrigação de lado. Hoje estou tentando voltar a frequentar a igreja mesmo que sozinha pois como você disse nós não podemos dar o que não temos, primeiro eu tenho que ter essa disciplina e amor e passá-la ao meu filho. Tanto eu quanto o pai dele rezamos algumas vezes com ele, e tentamos passar isso a ele mesmo que ele não preste muita atenção. Eu rezava tanto o Pai Nosso quando estava grávida, que quando o Davi era muito bebê toda vez que ele ouvia a oração já olhava pra mim.

    Hoje vejo muitos adolescentes perdidos, muitas pessoas achando que não tem nada a temer e satisfação nenhuma a dar sobre seus atos, e isso as faz cometer todo o tipo de coisas. Por isso quero inserir e ensinar o Davi na fé, para que ele saiba que tem sim que dar satisfação de seus atos e tem a quem pedir ajuda e quem agradecer mesmo quando ele achar que está sozinho, ele nunca estará solitário. Outro motivo é que quero que ele cresça em meio de jovens com o mesmo pensamento, com a mesma criação, que conviva em um bom meio, seja lá qual for a escolha religiosa dele na fase adulta, quero que ele tenha uma base na qual se apoiar.

    Beijossssssssssssssssssssssssssss

  • Meriene Zamprogno disse...

    Que lindo seu post, aqui em casa também queremos introduzir de pouco a pouco nosso filho na religião, mas aqui em casa somos pagãos e junto com a fé estamos também ensinando a tolerância e o respeito acima de tudo =) muito lindo!

  • Charles disse...

    Tentarei colocar isto da forma mais gentil possível, mas receio ainda assim ser mal interpretado: "educar na fé" traz alguns grandes riscos: o de ensinar a criança a ser sectária, a se ver como parte de um grupo, em oposição a outros grupos, o que é particularmente preocupante quando se vive numa sociedade pluralista - onde, além das inúmeras vertentes cristãs, há (ainda que em menor número) outras religiões e mesmo pessoas sem crença alguma; o de ensiná-la que a obediência e a repetição de dogmas é mais importante que ter opiniões próprias e pensamento crítico; o de ensiná-la que seguir um conjunto de regras, muitas delas arbitrárias, equivale a ter responsabilidade e autonomia moral.

  • Jackeline Graça disse...

    Charles eu gostaria apenas de destacar que como a Bruna disse ela está apenas dizendo como é feito na casa dela, não como deve ser feito para todo mundo. Outro detalhe é que fé não é a mesma coisa que determinada religião, a Bruna é católica e está nos mostrando como ela ensina seu filho na sua religião, mas acho que isso serve para todas as religiões, para as mães e pais de muitas religiões. O importante é ensinar bons valores, e religião e fé também não é sinônimo de preconceito, o preconceito é gerado a partir do momento em que um se acha mais dono da verdade que outro, quando a verdadeira fé e as religiões em sua maioria nos ensinam a amar uns aos outros, como amamos a nós mesmos, ensina a respeitar ao próximo. Logicamente todas essas crianças terão contato com outras pessoas, com a ciência, irão estudar e criar seus próprios conceitos, assim como nós fizemos e fazemos errando e aprendendo mas no fundo todos tentando voltar um pouco ao que nossos pais nos ensinaram, quando erramos principalmente costumamos refletir sobre nossos costumes e sobre nossos ensinamentos.

    Obrigada pelo seu comentário, que acho que não será mal interpretado e por favor não me interprete mal também, é muito válido refletir sobre o que você disse para nunca chegarmos ao radicalismo religioso, isso sim é ruim, a falta de tolerância que alguns seguimentos de várias religiões demonstram.

  • Anônimo disse...

    Charles tudo bem,

    Eu dividi seu texto para discutirmos melhor cada ponto,
    o intuito não é me aparecer e muito menos te criticar ou humilhar,
    espero que você não se ofenda de eu ter dividido seu texto em partes
    para irmos num aprofundamento maior dos nossos pensamentos e opiniões
    assim vamos descobrindo algo novo e que existe um grande oceano
    no interior do homem para ser descoberto.

    Charles:"Tentarei colocar isto da forma mais gentil possível,
    mas receio ainda assim ser mal interpretado:"

    A liberdade de pensamento e de escolhas é um Dom de Deus muito importante,
    você colocou sua opinião e que foi sim com muita gentileza. Um País sem
    liberdade de expressão principalmente sem liberdade religiosa é um
    País morto. Muitos interpretam mal a "educação na fé" achando que ela fecha os
    horizontes e tira a liberdade de pensamento e de escolhas, ela não fecha Charles,
    as pessoas são livres para seguirem suas vidas mas arcarem com as consequências delas
    também, pelo contrário a "educação na fé" abre a mente, para refletir a verdade sobre
    as tendencias a Luz de Deus "para quem acredita em Deus" e vai descobrindo que por melhor
    que sejam essas tendencias, o homem que anda e cria longe da Luz e do conhecimento de Deus
    pensa que descobriu um caminho novo e derrepente começam aparecer buracos nesse caminho
    e o homem tenta remendá-lo e ai aparece outro buraco, e outro e ai o remendo de um volta
    abrir e derrepente o homem se ve caindo nos mesmos erros daqueles os quais ele tinha
    como meta no começo de "não cair em tais erros" tentando assim fechar os buracos de sua
    "caminhada independente" vivendo num orgulho de que "não precisa de Deus".
    Sem Deus o caminho do homem não tem visão realmente profunda e de longo alcance
    apesar de muitos acharem que sim então o que parece bom(do homem) se descobre no futuro uma
    desgraça e o que parecia ruim(de Deus) ou cheio de regras mostra algo que era bom,
    com estrutura, com verdadeira preocupação com o futuro.

    Charles:"educar na fé" traz alguns grandes riscos: o de ensinar a criança a ser sectária,
    a se ver como parte de um grupo, em oposição a outros grupos, o que é particularmente
    preocupante quando se vive numa sociedade pluralista - onde, além das inúmeras vertentes
    cristãs, há (ainda que em menor número) outras religiões e mesmo pessoas sem crença alguma;

    continua no próximo comentário...

  • Anônimo disse...

    A idéia da "educação na fé" vai além de formar um grupo mas de seguir "A" verdade em que
    se acredita para um bem universal, isso quando a idéia é o bem Universal que vai além do próprio bem,
    ai cabe cada um fazer sua escolha e fatalmente por se acreditar nessas verdades fatalmente
    aparecem os grupos, os grupos politicos surgem por causa de suas crenças, os grupos sociais
    aparecem por causa de suas crenças, os grupos empresarias tambem e você também participa de grupos
    por causa de suas crenças, talvez ao grupo dos que não acreditam no "educar na fé", é uma escolha e
    você já faz parte de um grupo por causa de sua crença, sim deve-se haver o respeito sempre,
    evitar conflitos violentos que não levam ao bem maior, mas o conflito vai sempre aparecer porque
    um grupo pensa diferente do outro grupo, o que não pode é perder o respeito com a vida do outro
    entrando na loucura da agressão e do prejuizo, simplesmente a verdade de cada crença já é o suficiente
    para cutucar ao outro, então que cada um siga o seu caminho sem prejudicar a vida do outro pois cada
    um tem direito de viver sua escolha e desfrutar das graças ou desgraças da mesma, cabe cada um buscar
    inteligência e sabedoria para ver onde realmente está "a verdade".

    Charles:"o de ensiná-la que a obediência e a repetição de dogmas é mais importante que ter opiniões
    próprias e pensamento crítico; o de ensiná-la que seguir um conjunto de regras,
    muitas delas arbitrárias, equivale a ter responsabilidade e autonomia moral.

    A "educação na fé" não ensina a seguir os dogmas de forma cega, o que se ensina é seguir até que
    se entenda aquilo, até que tenha maturidade com a educação recebida para se expressar algo ou
    exercer atividades concistentes, de valor, que geram frutos mas infelizmente a maioria das pessoas
    ficam no superficial da fé em suas religiões e ai acontece isso que você está dizendo,
    ficam seguindo os dogmas sem se aprofundarem nos mesmos, realmente pode ficar algo cego para toda a
    vida, no superficial, mas os que ousaram sair da superficialidade descobriram algo novo, um tesouro
    de infinito valor, de dimenssões incalculáveis, que levam sim a uma responsabilidade e autonomia moral
    muito mais elevada ao que o homem pode exercer por si mesmo. Obedecer enquanto não se entende é sabedoria,
    mas nunca tentar entender ao que se obedece é preguiça, irresponsabilidade, falta de desejo de ter essa
    autonomia para viver, expressar, executar algo de valor e ter coragem de exercer e defender o que se
    acredita, e mantem a pessoa na superficie das coisas que pode se tornar sinonimo de "ignorância".

    "As crianças comem verduras, legumes e saladas inicialmente por obediência aos pais,
    mas depois quando adultos descobrem que aquilo foi importante para sua maturidade"

    Charles desculpe as palavras espero ter agregado algo e suas palavras me levaram a meditar mais
    ainda a importância da fé e a importância de sair da superficie, quero te dizer que essas suas
    preocupações são sim discutidas e meditadas dentro das religiões "sólidas".

    Fica com Deus Charles.

    Atenciosamente

    Fernando (Esposo da Bruna e Pai do Pedro) - foi anonimo pois não tenho ID

  • Charles disse...

    Apenas alguns pontos, para não estender demais a discussão:
    1) segundo Jackeline, "o preconceito é gerado a partir do momento em que um se acha mais dono da verdade que outro"; segundo Fernando, "a idéia da 'educação na fé'" trata de "seguir 'A' verdade em que se acredita para um bem universal" o que "fatalmente por se acreditar nessas verdades fatalmente aparecem os grupos".
    Ou seja, é próprio das religiões (ou, ao menos, das religiões monoteístas) pensar ter exclusividade da verdade; aliás, o próprio Cristo teria dito: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim." Não parece muito inclusivo para muçulmanos, hindus, umbandistas etc.
    2)"Logicamente todas essas crianças terão contato com outras pessoas, com a ciência, irão estudar e criar seus próprios conceitos"; "o que se ensina é seguir até que se entenda aquilo, até que tenha maturidade com a educação recebida para se expressar algo ou exercer atividades concistentes, de valor".
    Exatamente este me parece o problema: a criança ser ensinada a acreditar em algo antes de ser capaz de pensar, de refletir, de avaliar por si mesma aquilo que lhe é ensinado; mais tarde, quando se deparar com pessoas de outras crenças ou com a ciência, terá dificuldade em lidar com elas, pela bagagem que já carrega.
    3) "uma responsabilidade e autonomia moral muito mais elevada ao que o homem pode exercer por si mesmo". Fernando, desculpe-me, mas não compreendi como pode ser "autonomia" algo que o ser humano não exerce por si mesmo.

    Finalmente, gostaria de dizer que sei que todos queremos apenas fazer o que pensamos ser o melhor para nossos filhos. Quis apenas mostrar uma outra perspectiva, para, como disse Fernando, suscitar uma reflexão mais profunda sobre o assunto.

  • Jackeline Graça disse...

    Charles o que talvez você não tenha compreendido é o fato de ser de nossa responsabilidade guiar nossos filhos até que eles caminhem por si, e eles irão caminhar por si querendo ou não.

    A sociedade está tão cheia de pessoas criando suas próprias condutas a seguir, seus próprios conjuntos de regras e a impressão de impunidade seja nesse mundo ou no outro, que vemos cada dia mais assassinatos bárbaros, crianças sendo mortas e jogadas fora como se fossem lixo, pois essas pessoas não tem a quem temer, a quem respeitar, a quem agradar e nem a quem seguir além delas mesmas, nem ao menos sentem culpa por tirar uma vida, que é algo tão sagrado, não só pelos motivos religiosos, mas cada vida é envolvida de amor e de expectativa, cada uma dessas pessoas mortas tinham alguém que sofreu por elas, que esperou por elas. Mas esses assassinos criaram seus próprios códigos de conduta e nesse código está certo o que eles querem que esteja, pois eles sentem que tem essa autonomia.

    O meu esposo,caso você não tenha lido meu primeiro comentário, inicialmente foi criado como católico, depois a mãe dele se converteu para testemunha de Jeová quando ele era pequeno, ele foi criado nessa religião, cumprindo todos os seus compromissos, estudando a Bíblia e tudo o que faz parte desta religião. A mãe dele deu uma criação rígida nos valores morais e da família. Hoje como eu citei lá em cima, meu marido não segue religião nenhuma, simples assim, ele decidiu que não concorda com certos dogmas e certas propostas e comportamentos das religiões e não segue nenhuma. Entende, ele foi criado desde muito pequeno nisso, mas cresceu e por si decidiu assim, porém não perdeu seus valores, tanto meu marido quanto seus irmão são pessoas que ajudam os outros, colocam a família em primeiro lugar e sabem muito bem as consequências de seus atos. Eles sequer falam 1 palavrão na presença da mãe, por achar desrespeito. Vê, ele saiu da religião, mas não perdeu o fundamental. É isso que pretendo, por exemplo, para o meu filho, guiá-lo e ajudá-lo até onde eu puder,e quando ele for um adulto, ainda que modifique sua crença, que ele não perca seus valores.

    E quando me referi a cada um achar dono da verdade, eu me referia ao ser humano e não a religião, conheço evangélicos maravilhosos e conheço alguns extremamente preconceituosos e que olham as pessoas das outras religiões como seres condenados ao inferno. Mas são os seres humanos que por sua vontade e radicalismo interpretam a religião como lhes convém, seja ela qual for, até mesmo existem pessoas sem religião nenhuma com um fanatismo absurdo em provar e mostrar aos outros que nada daquilo existe e que eles estão certos, então essa briga de egos não é própria da religião é própria do ser humano.

    E mais uma vez, considerei muito seu comentário, pois nos remete sim a muitas reflexões, no meu caso ao que sempre julguei errado o "extremismo", nada pode ser demais que se torna maléfico e nos leva ao fanatismo.

    Mas da minha parte acho ótimo esse tipo de debate, pois sem opiniões contrárias não se aprimora e não se é capaz de aprofundar e conhecer realmente um assunto. Seria péssimo para o amadurecimento em geral se todos pensassem iguais e seguíssemos padrões.

  • Charles disse...

    Jackeline,
    É evidente que temos a responsabilidade por guiar nossos filhos e de prepará-los para que possam um dia guiar a si mesmos. Mas não há porque confundirmos religião com moral. Pela sua mensagem, acho que você concorda que o que realmente importa é a transmissão de valores morais. Isto é o fundamental - e não depende de frequentar esta ou aquela igreja (ou nenhuma) ou de aprender esta ou aquela fé (ou nenhuma).

  • Bruna disse...

    Charles,
    Olá, não me estenderei muito no comentário por que não será por um comentário de blog que mudarei sua opinião, e na verdade, nem de longe é essa a minha intensão. Antes de tudo vejo como vc é uma pessoa inteligentíssima em como usa argumentos e as palavras e sei que saberia rebater a cada argumento meu com uma justificativa palpável.
    Mas é disso que estamos falando aqui, né... De fé! E compreendo as coisas que você expôs, mas fé nem sempre dá para explicar.

    Apenas alguns pontos que mais me chamaram a atenção nas últimas conversas:
    Religião não é moral... aliás, nada tem haver com isso. E falarei apenas sobre o Cristianismo que é o que conheço. O Cristianismo é um acontecimento. Não uma moral... A moral leva ao julgamento. Crio meu filho não para que ele compreenda o que é certo ou errado, e sim para que ele tenha a capacidade de amar. E amando possa tomar as melhores decisões sempre.

    Teria algumas teorias a expor, mas não vejo nenhuma vantagem nisso, teoria é só teoria. Mas tenho o que de mais valor alguém pode ter para saber se está fazendo o melhor: exemplo! E vejo que com pouquissima idade meu filho tem a capacidade de ser simples, tranquilo e desejar o bem. Não sei se vc é pai, mas essas caracteristicas não são inatas da criança. Mas avaliar só pelo meu filho é difícil já que ele tem apenas 2 anos e meio. Mas vejo muitos jovens e adolescentes na igreja, muitos deles indo por caminhos bem difíceis. Mas vejo como conseguem discernir o que lhes trará sofrimento e sofrimento aos outros, e conseguem, com muita luta, mudar de atitudes. Vejo meus sobrinhos que tb foram educados na fé, o quanto são capazes de fazer o bem e amar.

    Sobre fazer parte de grupos, quem não faz parte de grupos, Charles? O ser humano sempre dá um jeito de se agrupar, por times de futebol, por classe economica... Da minha parte, se meu filho fará parte de um grupo, espero apresentar a possibilidade de fazer parte de um grupo religioso, que prega o amor ao proximo, inclusive aos que não fazem parte desse grupo.

    Já escrevi mais do que gostaria e se que vc tem uma resposta para cada virgula que escrevi,sei também que vc conhece o Cristo e o Deus que acredito, pois até as suas palavras você citou.

    Seria muito bom que eu pudesse ensinar meu filho a ter opiniões próprias e pensamentos críticos, eu tentarei ensinar isso a ele. Mas se só uma coisa eu puder ensinar, tentarei ensina-lo a amar!

    E esse é só o exemplo do que vivo com minha família como disse acima... e respeitar a pluralidade, como vc disse, é importante. Que os que seguem religião aceite e respeite os demais. E que os que não seguem possam aceitar os que vivem sob dogmas religiosos.
    Discussão é saudável. Mas nem tudo é uma correção fraterna!

  • Anne Lieri disse...

    Que bonito esse relato!Vc disse algo muito certo:não conseguimos ensinar a fé, se não a praticamos e creio que pra tudo na vida é assim.Nós temos que ser o exemplo.Parabéns pela sua atitude e com certeza o Pedro já tem essa semente plantada em seu coração.bjs,

  • Charles disse...

    Oi, Bruna!
    Meu filho está com um ano e nove meses e - ao contrário do que você talvez tenha imaginado - concordo com quase tudo o que você escreveu. Apenas me incomoda a confusão entre religião e moral, como se esta não pudesse existir sem aquela; daí minha intromissão.
    Mas, pra não perder o hábito da polêmica, há um ponto que preciso ressaltar: o Cristianismo tem uma moral própria, que tem pontos em comum com outros sistemas morais (religiosos ou não), mas também muitas divergências. E a fé muitas vezes atrapalha o debate a respeito de questões importantes, pois as pessoas parecem sentir que, se cederem, não estarão apenas reconhecendo a validade do argumento contrário, mas estarão também, de certa forma, abrindo mão de sua identidade.

  • Dani disse...

    Lindo! É isso aí. Também sou católica praticante, e tenho dois filhos. A Mariana de 2 anos e 8 meses já reza com a gente todas as noites. Acostumamos a fazer uma oração com ela, de agradecimento pouco antes de dormir... a gente agradecia pelo dia, pelo que ela tinha feito durante o dia e ao final, pedíamos o Espírito Santo por ela, pelas tias da escola, amiguinhos e por nós da família. Cantávamos uma música e colocávamos ela para dormir. Hoje, ela já reza junto. Quando começamos a agradecer, ela olha para cima e conta coisinhas do dia dela para o Papai do Ceu: Papai do céu, hoje eu caí do balanço... Papai do céu, hoje o Francisco levou um brinquedo legal... e assim ela já vai aprendendo a orar e a se relacionar com Deus. Na hora de pedir, ela fala o nome das "tias" e amiguinhos da escola, e pede o Espírito Santo para todos.
    Também temos imagens e, nessa fase que ela está, ao conhecer personagens de historinhas na escola, ela começou a ter medo do "lobo mau" e outros assim. Eu mostrei para ela a imagem da Mãezinha do Ceu no quarto dela e em outros cômodos da casa, pois também sou muito devota, e disse a ela com toda segurança: aqui, nessa casa, não entra lobo. Porque a Mãezinha do céu está aqui, e onde ela está, o lobo mau não vem pois ele tem medo dela, e ela bota ele para correr. Outras vezes que ela reclamou que estava com medo do lobo, eu e meu marido repetimos isso, e sumiu o medo... esses dias, o padre da paróquia esteve aqui, e ela contou para ele que a Mãezinha protege ela do lobo mau! Achei lindo!
    Uma coisa que ajuda muito também a plantar a fé no coraçãozinho deles é participar de uma pastoral. Eu e meu marido, participamos da Pastoral Familiar, na parte do curso de noivos. Como a equipe integrante tem muitas crianças, ela adora dia de reunião preparatória e os dias do encontro, pois contratamos uma animadora de festinhas infantis para ficar brincando com as crianças em uma outra sala durante o tempo do curso de noivos... eles amam!
    Além disso, ela vai a missa conosco todos os domingos, e, para ela, falar de ir a igreja, é uma alegria!
    um beijo e que nossas famílias permaneçam na fé!

    www.aprendendoasermaehoje.com

  • Carol Meoli disse...

    Acho lindo isso!!!
    Acredito que as crianças que crescem num lar que tem uma religião é essencial para o crescimento e formação de bons costumes!

    Não sou católica. Sou espírita.

    Adorei!

    Beijos

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