A melhor mãe que posso ser

21 de abril de 2013 15 comentários



Quem segue o meu blog sabe que A melhor mãe que eu posso ser é o título dele. Li essa frase no livro, A Encantadora de Bebês, e nunca mais me esqueci. Todo mundo sabe que a culpa acompanha qualquer mãe, não é?

Culpa de trabalhar fora e achar que não dá atenção suficiente para o filho, culpa por estar em casa e não trabalhando fora para dar algo melhor para o filho, culpa por não amamentar, culpa porque às vezes sente saudade de quando podia dormir até a hora que queria e sair para se divertir sem hora para voltar. Culpas.

A minha culpa foi por não ter amamentado e reagido em certas situações. Quero dividir isso com vocês porque foi um período muito delicado e difícil para mim. Imagino quantas mulheres não passam ou estão passando por isso e pensam o que eu pensei: que "lixo" que eu sou, nem amamentar eu consigo.

Sou da área da saúde, sou técnica em enfermagem. Já estudei sobre técnicas de amamentação e a importância de amamentar. Acontece que a gente sabe tudo sobre criar filhos, até que vem o nosso. Daí o "buraco é mais embaixo". Não sabemos, ficamos confusas e perdidas com o novo. Conheço enfermeira que trabalha na maternidade e mesmo assim entrou em choque quando o filho chegou. Dizia ela: Meu Deus, cuido dos filhos de tantas mães, mas não sei cuidar do meu. Pois isso é normal!

Não tive uma boa ajuda e orientação, o que me prejudicou demais. Só me estressaram e estressaram o meu filho. Só de colocá-lo na posição para mamar ele se jogava para trás e chorava sem parar. O atendimento foi tão ruim que traumatizou até o bebê. Ainda tive que aguentar gente que foi me visitar e tirou "sarro" porque eu não estava conseguindo amamentar. Isso mesmo. Sensibilidade zero. O único que me apoiou em todos os momentos foi o meu marido que até me ajudava a tirar leite para o bebê tomar no copinho. Enfim, saímos da maternidade com o bebê sem ter pegado o peito.

Em casa comprei tudo o que vocês possam imaginar para auxiliar na amamentação.  Até que com um mês de vida o próprio bebê não quis mais. Não sei se foi porque eu estava fazendo algo errado e foi aí que me culpei. Eu tinha muito leite e ficava muito triste de ver que ele não estava mamando.

Meses assim. Meses de culpa. O que veio logo após foi uma depressão pós- parto. Algo que nunca pensei que passaria. O que contribuiu muito para essa depressão aparecer (e aqui conto em primeira mão porque não posso falar no meu blog já que parentes visitam) foi o que aconteceu quando o meu filho nasceu. Assim que eu fiquei de pé, ouvi de uma pessoa muito próxima da família: nossa, e essa barriga? Tem outro neném aí? Levei na esportiva a falta de delicadeza da pessoa e segui em frente. Depois, eu toda preocupada com o meu filho por ele não mamar (aliás, foi a mesma pessoa que debochou da amamentação) e ouço: nossa, ele tem uma cabeça grande igual a sua.

Choquei e uma tristeza imensa tomou conta de mim. Todo mundo da nossa família sabe como esse momento era especial para nós, como sonhamos em ter um filho, como planejamos e que perder três bebês foi algo extremamente doloroso para nós. Ou seja, o Miguel era e é a nossa vitória! Não reagi, fiquei muda e os dias se passaram. Mais tarde, a mesma pessoa foi me visitar e disse: quando vocês vão levá-lo ao veterinário?

Pasmei também. Algumas pessoas me disseram: você não fez nada? Ficou por isso mesmo? E a culpa me consumiu de novo. Fiquei pensando que eu era incapaz de defender meu próprio filho. A pessoa o ofendeu duas vezes e eu abaixei a cabeça. Quem me conhece desde a minha adolescência sabe que eu sou de resolver as coisas na hora. Então isso foi realmente uma surpresa para quem ficou sabendo e me conhecia há tempo.

Eu me senti muito culpada mesmo. Um peso enorme nas costas. Não me sentia merecedora do presente que Deus tinha me dado. Porém, vivendo um dia de cada vez e procurando ajuda, eu descobri que eu estava doente. Sim, muitas coisas acontecem da maneira que não esperamos e ficamos mesmo sem reação. Mas temos que enfrentar e seguir em frente. 

E foi aí que eu coloquei em prática o "Eu sou a melhor mãe que posso ser". Eu não amamentei, mas sei que fiz o possível dentro das minhas condições psicológicas do momento. Não falei quando tinha que falar, mas reconheci que estava abalada emocionalmente com o fato do Mi não estar mamando. Estava totalmente focada em fazê-lo pegar o peito, não estava preocupada em me armar para me defender contra qualquer ofensa, principalmente vindo de alguém que é parente do bebê.

Entristecia-me dar leite artificial no copinho (que era maior que o rostinho dele) e sentindo minha blusa molhar de tanto leite. Parei com a culpa. Não amamentei, mas dei todo o amor que podia dar. Sou a favor da amamentação e apoio totalmente toda causa relacionada a isso.

Desejo do fundo do meu coração que quem quer que seja e que esteja passando por esse momento de culpa ou por um momento sombrio que é a depressão pós-parto, tenha em mente que só da gente se esforçar, dar o máximo de nós e fazer tudo com amor, já estamos sendo as melhores mães que nossos filhos podem ter.

Portanto, se você perceber que realmente algo não está legal, que os dias estão mais cinzas do que coloridos, procure ajuda. Aliás, a comunidade blogueira está aqui para isso também e uma palavra amiga pode ajudar bastante.

Faz pouco mais de um ano que meu filho nasceu e pude comemorar duas coisas: o primeiro aniversário dele e a minha cura da depressão pós-parto. 

Livro-me da culpa dia após dia (culpa me persegue, gente) e tento todos os dias, todos os segundos da minha vida, ser a melhor mãe que posso ser. E sei que eu sou.

Eu agradeço de coração o convite para participar dessa rede tão especial e acolhedora e a quem leu meu relato até o final. Obrigada mesmo.  

Beijos.
Brenda é autora do blog A mãe do Miguel.


* E você que acompanha essa coluna do MR, participe. Envie sua postagem para mamaesemrede@gmail.com e veja o seu relato influenciando as mamães em rede.

15 comentários:

  • Mamães em Rede disse...

    Bom dia, Brenda!

    Muito obrigada pela sua participação.

    Meus parabéns pelo lindo Miguel e por você ter aprendido a superar as adversidades e compartilhar conosco experiência tão grandiosa.

    Quanto ao desrespeito de alguns, penso que é uma doença, por vezes, tão grave quanto a depressão pós-parto.

    Vocês são muito bem-vindos ao MR, voltem sempre!

    Beijos!

    Equipe MR

  • Renata Diniz disse...

    Brenda. Meus parabéns pela sua participação. Ser mãe é sempre ter uma posição de expectativas e nunca uma posição passiva. Gostei muito do seu relato de superação. Você e Miguel são lindos. Beijo!

  • Brenda Kayene :) disse...

    Eu que agradeço pelo carinho e convite.
    Adoro essa rede!!!

    "Quanto ao desrespeito de alguns, penso que é uma doença, por vezes, tão grave quanto a depressão pós-parto."

    Adorei, adorei, adorei.

    Beijos!!

  • Cozinha de Mulher disse...

    Brenda minha linda.. que história!!
    Aliás uma história de superação..
    Existem pessoas que se sentem bem em machucar os outros.. em falar e fazer coisas que são típicas de pessoas vazias..
    Mas que bom que você está conseguindo a cada dia esquecer essas coisas tristes..
    Olha o sorriso do Miguel, quer prova maior da mãe maravilhosa que você é?
    Não existe..
    Você dá o seu melhor, faz de tudo para dar ao seu filho todo amor e cuidado que ele precisa, e isso é o que é importante..
    Por isso sinta-se orgulhosa disso.. sempre!!

    Ser mãe não é nada fácil, por mais que existam mil livros com dicas, ensinamentos de como ser a melhor mãe do mundo, só sabemos o que é ser mãe mesmo quando passamos por essa experiência.. e aí aprendemos a cada dia..
    Na verdade são nossos filhos que nos ensinam como ser mãe..
    E cada filho tem uma forma mágica de nos ensinar..
    Eu tenho duas filhas lindas.. que hoje tem 16 e 13 anos.. e a cada dia continuo aprendendo com elas como ser uma boa mãe..
    E te falo, são momentos maravilhosos que nada nem ninguém pode nos tirar..

    Um beijo minha linda.. amei seu post..

    Um domingo super lindo viu?

  • Divagações da Mamãe Tê disse...

    Brenda querida... Arrepiei em todo seu texto. Que emocionante, verdadeiro e sensível...

    São muitas coisas a dizer que não conseguimos aqui expressar todas.. mas uma importante: TODAS nós temos sentimentos de culpa a TODO momento... Isso é inevitável na maternidade, mesmo sendo "a melhor mãe que podemos ser"

    Culpa por não trabalhar fora (ja tive isso)
    Por trabalhar
    Por não amamentar
    Por as vezes não poder dar atenção
    Por dar atenção demais..

    Você falou muito bem: o esforço em querer fazer certo e o amor, já nos isenta de culpa.. O resultado desse esforço nem sempre depende da gente.. e sim da circunstância que nos cerca...

    Outra coisa Brenda, é que NUNCA vamos agradar a todos... Nem Jesus Cristo agradou quem dirá nós.. E..mesmo assim, não temos que viver para satisfazer as necessidades DOS OUTROS...

    O que importa é a gente, nossa família que nos ama, as necessidades dos nossos filhos que só nós sabemos... mais ninguém, e o amor que envolve tudo isso.. e que é grande demais...

    Com certeza seu filho foi um presente muito esperado. Insensível e infeliz quem não compartilha dessa alegria imensa com vocês, perde quem não tem uma palavra de apoio e um gesto de partilha e ajuda...
    E situações assim... temos que necessariamente deletar da vida da gente... Se no momento podemos ser forte o suficiente para dar um basta, ótimo se não podemos, é abstrair algo que não acrescenta em nada na vida da gente...

    Eu e meu marido tivemos nossa Maria longe de todo mundo.. Algumas vezes aparecia um gato pingado de amigos do meu marido, pois eu estava em uma cidade que não era a minha.
    Então não passei por esse problema de palpites ou indelicadezas... Fizemos e aprendemos tudo sozinhos.. na marra e com muito amor e jeito.. E isso nos ajudou muito..

    Muitas vezes conseguimos proezas com nossos feitos, o que nos atrapalha (e não deveria) são as opiniões errôneas e injustas de terceiros...

    Vocês são lindos, e só vejo alegria na carinha de vocês.. e tenho certeza que são e ficarão muito felizes sempre...
    Só amor... só dedicação.. e muito aprendizado...

    Pode ter certeza Brenda, que quem ama vocês e ama A VIDA.. terá sempre boas palavras e boas atitudes com vocês.. e se for ao contrário, pode ter certeza, são pessoas infelizes, desprovidas da capacidade de fazer o que temos de melhor: AMAR!

    Seja sempre bem-vinda no MR... Foi uma alegria ter você aqui.. e parabéns pelo depoimento... A casa é sua...

    Desculpe o testamento, senti necessidade de lhe dar uma palavra e também a liberdade de conversar com você... beijos querida... Seja feliz! Deus os abençoe!

  • Anne Lieri disse...

    Ai Brenda,quanto sofrimento,menina!Essa pessoa da familia é um espírito de porco,não ligue para o que ela diz!Ninguem merece!Fico contente que tenha passado sua depressão e saiba que tb tive isso depois do parto,qualquer dia conto aqui.Não se culpe por não ter amamentado,tem criança que não suporta o leite materno,é até alergica!Parabéns por sua coragem de contar,vai ajudar muitas mulheres!bjs e meu carinho,

  • Trícia disse...

    Nossa, sei bem como é isso. A crítica a nós, mães, é imensa caso algo saia do "padrão". Parece que temos que ser PERFEITAS, não errar, sorrir sempre e fazer tudo, absolutamente TUDO, conforme manda o Manual da mãe de comercial de margarina.

    Perae!!!

    O mundo não é assim não! Concordo com gênero, número e grau com a frase "A melhor mãe que posso ser". Todas, TODAS nós somos humanas, temos limites, medos, dificuldades, dúvidas e erramos, ah sim! mãe tb erra!! E como erra gente, ou temos algum tipo de chip inserido em nós que nos faz ser perfeitas? Ai ai...

    Aprendemos JUNTO com os filhos a ser mãe.

    Pessoas para apontar o dedo e criticar, existem aos milhões, o que fazer diante disso? Não dar ouvidos! Seja a mãe que você pode, consegue e é. Amor de mãe não é medido pelo fato dela amamentar ou não, se deu isso ou aquilo pro filho.

    Vamos simplesmente nos limitar a dar o maior AMOR do universo pros nossos filhos. E os erros que aparecerem pelo meio do caminho a gente vai contornando, aprendendo, crescendo.

    Bjo grande e parabéns pelo seu depoimento! :)

  • Kaah Maia disse...

    PRA MIM ESSA SUA PARENTA É UMA INVEJOSA E O FATO DE VOCÊ NÃO TER DITO NADA FOI UM TAPA NA CARA DELA , PQ ELA ESTAVA QUERENDO ARRUMAR CONFUSÃO

    ...

    Muito Lindo seu Relato , eu li tudinho e até chorei , o Miguel é um gato genteee ....

    Bjos ♥

  • Andreia Cristina disse...

    Brenda, imagino como foi difícil pra você. É incrível como existem pessoas invejosas.

    É verdade que a gente se culpa mesmo. Que bom que você conseguiu superar tudo isso e, que seu marido te ajudou.

    Você são é muitos lindos, isso sim!

    Beijo!

  • Léa disse...

    Também tive depressão pós parto, e até ler seu post achei que era anormal ter resquícios dela até quase um ano depois do nascimento da minha filha... superei, nunca vou esquecer do sofrimento mas também sempre vou lembrar como a época em que descobri o valor das mulheres da minha familia que se uniram para me apoiar e ajudar. Mudei muito com a maternidade e hoje gosto mais de mim, me sinto segura com minha filha e aprendi que o vinculo com nosso bebê está além do ato de amamentar, está no amor, no olhar e se constrói a cada minuto que passamos com eles. Beijos lea@nafta.com.br

  • Desirée Tapajós disse...

    Nossa Brenda que história, nossa com existem pessoas sem noção nesse mundo, não respeitar o momento tão importante com a maternidade, ainda bem que vc foi superior a essa pessoa.
    Você não sabe quanto rezei para não ter depressão pós-parto, pois tinha sonhado tanto com minha gravidez e como sabia que não ia ter uma segunda chance para em gravidar novamente, não queria que minhas meninas não sentissem amadas, sei que isso é uma doença que não temos o poder de escolha.
    Já lhe acompanhava conhecendo melhor sua história agora fiquei fã de carteirinha :)

    tri-beijos Desirée
    http://astrigemeasdemanaus.blogspot.com.br/

  • Cristiane Lima disse...

    Querida amiga, li seu relato até o final e fiquei passada com tudo o q vc teve q passar. Sabemos tudo e quando nos tornamos mães temos q reaprender tudo.
    Fico feliz por vc ter vencido, saiba q és mais forte agora!
    bjss
    http://cphilene.wordpress.com/

  • Genis Borges disse...

    Oi amiga querida, ser mãe é realmente se encher de culpas, mas penso que já se sentir culpada por algo que não achamos que estamos agindo bem, já é o começo de melhoria sempre.
    Eu tb tenho minhas cobranças por ser uma mãe/professora.
    Grande beijo e obg por ter aceitado meu convite para postar aqui.
    Bjusssss

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