BC - Licença Maternidade Não é Férias

26 de abril de 2013 12 comentários


Hoje é o dia da nossa tão esperada blogagem coletiva, vou dividir com vocês um pouco da minha história e espero conhecer muitas histórias hoje.

Apesar do que muitos pensam o período de licença maternidade ou o período em que as mães ficam mais reclusas nos primeiros meses de seus bebês, não é nada como estar de folga, de férias ou algo assim.

As mães que vão voltar a trabalhar são as que mais sofrem com o preconceito, já que seus empregadores costumam tratar do assunto como férias prolongadas. Mas as mamães que não trabalhavam fora antes desse período também sofrem certos preconceitos da sociedade como se estivessem em casa sem fazer nada enquanto seu lindo bebê dorme. Será assim mesmo?!


Não, é claro que não. Me lembro até hoje que eu dizia para a minha mãe que os primeiros meses do bebê deviam ser uma loucura, afinal a  mãe está tendo que aprender tudo! E a minha mãe me respondeu que não, que no primeiro mês eles dormem demais, quase o dia todo, que era até chato.

Mas a verdade é que não foi bem assim. Os primeiros meses do Davi foram de um trabalho intenso. Já começou pelo fato de eu não ter tido leite nos primeiros dias, então o Davi saiu se contorcendo de tanto chorar do hospital e continuou assim (acho que até hoje). Mas o fato era que ele quase não dormia e chorava demais, e mesmo quando o leite desceu o Davi ainda chorava demais.

Ele tirava algumas sonecas durante o dia, mas não eram maiores que 30-40min e nesse tempo eu corria para lavar a louça, lavar as roupinhas dele á mão, deixar as coisas em ordem. Eu tinha medo até de cozinhar por que ele acordava e chorava tanto que eu saia correndo pra ver o que era, e eram as cólicas, ele tinha crises de cólicas horríveis. Então era complicado deixar ele sozinho nesses momentos, muitas vezes eu lavei roupa, cozinhei e lavei louça balançando o carrinho com os pés.

Ainda tinha que ferver água para dar banho, separar as roupinhas, trocar fraldas, amamentar e tentar acalmá-lo a cada crise de cólicas.  Ele não dormia bem durante o dia e durante a noite acordava a cada 1 – 2hrs para mamar e sempre chorava muito. Eu fiquei praticamente um zumbi, ele estava sempre bem vestido, limpo, bem alimentado, mas eu estava em frangalhos, passava o dia de pijama, e sempre que conseguia um tempo eu corria para limpar as coisas e deixar tudo que fosse do Davi impecável. Eu não arriscava cochilar por que dormir apenas 30 min. com o cansaço que eu estava me dava fortes dores de cabeça.

Dois momentos me marcaram bastante nessa época, um deles foi o dia em que meu marido teve que me dar comida na boca (eu detesto ser alimentada), mas não tive escolha, eu estava sem comer desde manhã, já era noite e o Davi simplesmente não largava meu peito, então meu marido se sentou e foi dando comida pra mim.  Outro momento foi um dia em que depois de uma super crise de cólicas o Davi adormeceu nos meus braços e eu comecei a ter enxaqueca, mas tinha tanto medo que ele acordasse que fiquei segurando ele por um tempão até que ele acordasse, quando acordou eu corri e tomei 2 dipironas que fizeram minha pressão baixar, eu tremia dos pés a cabeça, troquei a fralda dele, coloquei e ele no berço e pedi pro pai dele correr pra casa por que eu estava achando que ia desmaiar e já estava com vômitos. Sentei e fiquei olhando ele no berço rezando pro pai dele chegar antes que eu piorasse pra que ele não ficasse sozinho.

Como vocês perceberam os primeiros meses não foram o SPA que as pessoas acham que é, foi uma época de extremo trabalho, sim os sacrifícios valem a pena, todos eles, mas eles existem e não é certo a mãe ser tratada como se não fizesse nada só pelo fato de estar em casa com seu bebê. Eu tive muita compreensão do meu marido, mas não tive dos meus patrões, a partir do momento em que voltei da Licença maternidade comecei a sofrer Assédio moral na empresa, todos os dias a minha ex-patroa arrumava uma desculpa para gritar comigo, não importava se o erro não era meu, a culpa era minha. Cada vez que o Davi ficou internado era uma semana de estresse, gritaria e humilhação no trabalho. Eu aguentei isso por 2 anos e espero, nem que seja aos poucos, que as próximas mães não venham a passar por isso. Que cada dia mais pessoas e empresas possam dar o devido respeito e compreensão com essa fase tão trabalhosa e estressante. A vida toda da mãe muda e pior, não tem manual de instruções, esse novo ser é responsabilidade completa dos pais e eles nem sabe como fazer isso, ninguém sabe na verdade. Então o mínimo que se pode esperar é respeito e consideração, porque “LICENÇA MATERNIDADE NÃO É FÉRIAS”.



12 comentários:

  • Desirée Tapajós disse...

    Jacks nossa não sabia que você tinha sofrido assédio, é uma pena que nos dias hoje ainda tenha empresa e patrões que tenham esse comportamento.

    Tri-beijos Desirée
    Http://astrigemeasdemanaus.blogspot.com

  • Divagações da Mamãe Tê disse...

    Bom dia Jackie.
    Lindíssimo depoimento. Corajoso. A gente nem imagina que as pessoas passem tanta coisa...
    Só de ver sofremos por aqui...
    Não é fácil mesmo amamentar, por mais belo e prazeroso que seja. No meu texto digo o tempo todo que fui uma privilegiada, e fui. Não trabalhava, por isso não passei assédio.

    Estive longe de parentes ou outras pessoas que pudessem interferir na minha amamentação e aprendizado com o bebê. Somente meu marido me ajudou nessa época e ajudou muito..

    Como eramos sozinhos e longe de todos aprendemos tudo sozinhos tb, na marra..e foi MUITO BOM! Praticamente como sonhei.

    Nem todos tem esse privilégio, ja´ouvimos vários relatos ao contrário.

    Mas uma coisa a certa: a vontade de acertar, de querer ver o filho bem e o amor grande demais..

    Parabéns pela blogagem Jackie.. Parabéns pelo depoimento emocionante.
    Foi um lindo tema...Beijos

  • Andreia Cristina disse...

    Jackie, o tema da BC é fantástico! O que você passou no emprego acontece com muitas mães. No meu caso não passei por isso, pelo contrário eu precise ficar em um mês a mais porque o Pititico não queria pegar a mamadeira. E quando voltei a trabalhar ainda levava comigo.

    Os primeiros meses são de adaptação pra nós e para os nossos filhos também, por isso não é fácil. Mas com o passar a gente fica craque no assunto não é mesmo?

    Beijo!

  • Cristiane Lima disse...

    Amigas mamães é mt difícil toda a adaptação e mudança deste período.
    Jackie tudo o q vc viveu, vivemos todas, agora do seu trabalho q absurdo! Fiquei passada!
    bjss

  • Anne Lieri disse...

    Jack,que bonito seu relato mostrando as dificuldades desse periodo.Muitas máes poderão compreender e se preparar melhor para os primeiros meses do bebê!Bjs,

  • Suzy S. da Lapa disse...

    Estou participando também, porque achei o tema muito adequado pro momento que estou vivendo. Adorei sua história, e realmente tem dias em que estamos tão exaustas que esquecemos até de comer, o que significa que não estamos mesmo de férias... ahh quem dera que tudo fosse fácil como muitos pensam.
    Abração.
    Suzy
    http://oblogdasuzy.blogspot.com.br/2013/04/bclicenca-maternidade-nao-e-ferias.html

  • Brenda Kayene :) disse...

    Nossa, como que pode depois de tudo ainda passar por assédio moral no trabalho??

    Olha, admiro mesmo quem tem que trabalhar fora porque não é fácil, acho tão curto a licença, de verdade. E ainda ter que voltar pra labuta do dia a dia e ser humilhada simplesmente porque foi mãe e teve sua licença por direito?!

    Força pra todas nós.

    Adorei a foto, baby lindo!

    Já participei também.

    :)

    Beijos!

  • Toninha Borges disse...

    Amiga vc é uma guerreira.
    Experiências que vc vai carregar pra sempre e quantos aprendizados tirou disso tudo. Temos sempre que pensar no lado bom das coisas.
    Adorei seu depoimento.
    Também estou participando http://toninha-ferreira.blogspot.com.br/2013/04/bc-licenca-maternidade-nao-e-ferias.html
    Bju

  • Genis Borges disse...

    Oi Jackie, apoio essa BC, pois vivi na pele todo o trabalho que é os primeiros meses com o bebê.
    Parabéns pela coragem de abordar este assunto.
    Bju grande, Genis

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